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Revista Alma
Mindfullness por Thich Nhat Hanh
Foto: Maria Navarro

THICH NHAT HANH E O SILÊNCIO

 

Quem ainda não conhece o vietnamita Thich Nhat Hanh tem uma ótima oportunidade com este livro aí acima. O monge zen trouxe para o ocidente o termo “budismo engajado”, que se refere a uma atitude socialmente comprometida aliada à observância dos preceitos budistas. Com mais de cem livros publicados, Hanh é uma das lideranças religiosas mais respeitadas do mundo e vive desde 1982 em “Plum Village”, um famoso mosteiro budista no sudoeste da França. Milhares de pessoas acorrem ao local, todos os anos, para aprender os princípios da atenção plena ou mindfulness.

 

Mindfulness

 

Para Thich Nhat Hanh, as maravilhas da existência estão a nosso redor, clamando constantemente por nós. Mas para escutarmos seu chamado precisamos desacelerar e silenciar. Ao incorporar essa prática a nosso dia a dia, começamos a viver de forma mais autêntica, profunda e com muito mais contentamento. A condição básica para atingirmos esse ponto é, segundo o monge vietnamita, o silêncio. Se não temos silêncio dentro de nós, se nossas mentes e corpos estão repletos de agitação e barulho, como ouvirmos o chamado da beleza e da vida?

 

Na teoria, quase todos compreendemos ou admitimos isso. Mas cadê que conseguimos produzir o tal silêncio? É como se uma TV matraqueasse na sala e não soubéssemos como desligá-la. Só que a sala, neste caso, é nossa mente. A ideia de que somos livres e autossuficientes cai por terra quanto tentamos silenciar nossos próprios pensamentos, não é verdade?

 

Retorne à respiração

 

O jeito é praticar. Cair e levantar como quando éramos crianças e dávamos os primeiros passos. Thich Nhat Hanh está entre os que nos abrem os braços, alguns passos à frente, e nos dizem com um sorriso tranquilo: venha, sem medo, mais uma vez. Ainda bem que existe esse pessoal! Mas não se trata de cair e levantar, propriamente, mas de parar, respirar e acalmar a mente. Retornarmos ao momento presente, e a nós mesmos, onde estão as chances reais de felicidade. A cada vez que a onda de pensamentos nos arrasta, nós paramos, respiramos e acalmamos a mente, voltando para o aqui e agora para desfrutarmos do momento. Até que se torne um ato natural, como andar – ou ser feliz. Belo livro.

 


“Silêncio – O poder da quietude num mundo barulhento” – Thich Nhat Hanh [Harper Collins]


 

Leia alguns trechos:

 

“Existe uma rádio sempre ligado em nossa mente, a que eu chamo de ‘Estação PSP: Pensando Sem Parar’. Nosso coração nos chama, mas não o escutamos. Não temos tempo para escutá-lo.

 

***

“Muitos mestres Zen disseram que não pensar é a chave para a meditação com mindfulness. Meditar não significa sentar-se quieto e pensar! Quando o pensamento toma a dianteira, perdemos o contato com nosso corpo e com nossa consciência maior. Nós, humanos, costumamos nos prender exageradamente aos nosso pensamentos, ideias e emoções. Acreditamos que essas coisas são reais e que as deixar par trás seria como abrir mão da própria identidade.”

 

***

“Em qualquer atividade, sempre que você estiver calmo e atento, terá uma chance de se reconectar consigo mesmo. Durante grande parte do tempo, nós caminhamos e não percebemos que estamos caminhando. Estamos em algum lugar, mas não sabemos que estamos por lá, pois nossa mente está a quilômetros de distância. Estamos vivos, mas não sabemos que estamos vivos. Vivemos eternamente nos afastando de nós mesmos. Portanto, acalmar seu corpo e sua mente, e simplesmente sentar-se para estar presente consigo mesmo é um ato de revolução.”

 


 

 









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